"Tamo Junto", o terceiro longa de Matheus Souza é uma comédia reflexiva sobre a juventude. Saiba mais!

2. dezembro 2016 22:15 | Texto por Mariana Barros

Assisti ao filme "Tamo Junto" em primeira mão, e fui também na coletiva de imprensa para conferir o terceiro longa-metragem de Matheus Souza que com 28 anos, já foi diretor e roteirista dos filmes “Apenas o fim” (2008) e “Eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com a minha vida” (2012), trio que ele chama de “trilogia de baixo orçamento”. Nesse filme, além de assinar como diretor, roteirista e produtor, Matheus, também atua pela primeira vez em frente às câmeras, junto com Sophie Charlotte, Leandro Soares e Alice Wegmann. “Dirigir sempre foi o meu maior sonho, escrever é o que me dá mais prazer e onde eu me encontrei e atuar é o que mais me diverte”, disse.

Uma comédia bem diferente das que costumamos assistir no cinema nacional, "Tamo Junto" tem um humor ágil e repleto de referências da cultura pop, como séries e games.  Com o elenco jovem e marcante, a trama começa quando Felipe (Leandro Soares) resolve terminar o namoro para se divertir na vida de solteiro, mas se percebe perdido e sem amigos. Ao se reencontrar com dois amigos de infância, Paulo Ricardo (Matheus Souza) e Julia (Sophie Charlotte), o trio passa por questionamentos sobre valores e incertezas da juventude.

“É um filme sobre amizade, um filme onde eu quis dialogar com as comédias que me marcaram na adolescência, enquanto eu crescia e ao mesmo tempo atualizando algumas questões delas, dialogando com os temas de hoje em dia, e também me esforçando pra deixar os personagens bem humanos. Essa foi minha maior preocupação. Dialogar com os clichês, sim; dialogar com os clássicos da comédia, sim; mas também dar uma humanidade a todos os personagens. Eu quis fazer uma comédia acessível identificável”, contou Matheus.

Ele também disse que seu personagem Paulo Ricardo, um nerd super tímido que coleciona figuras de ação e é viciado em videogames, foi inspirado na sua própria adolescência: “Eu entrei em 2005 num curso de teatro, e antes disso eu era um nerd que não saía de casa, não falava com ninguém. Eu me lembro quando eu entrei ali e conheci outras pessoas que eram estranhas que nem eu, só que era tudo bem ser estranho. Nossa! Aquilo me fez tão bem. Foi como um abraço. E é um pouco também do que eu tento fazer com os meus filmes, dar um abraço. Sabe, de fazer: ‘Cara, tudo bem ser estranho, tudo bem ser assim, vamos celebrar isso!”.

É possível se identificar com cada personagem em diferentes aspectos ao decorrer da trama. Eu perguntei para o Leandro, se ele se identificava com o personagem dele de alguma forma: “Eu me identifiquei bastante, eu tenho uma coisa parecida com o Matheus que eu tenho um passado super nerd em algumas coisas. Eu nunca segui muito, eu sempre fui da turma o cara que fazia teatro, mas eu acabava frequentando tanto o lado nerd como o lado da galera mais descolada. Então assim, eu era chamado pras festinhas da galera descolada, e eu sei que o Charmander evolui pro Charmeleon, e depois pro Charizard. Então, eu acabei encontrando no Felipe, uma relação não com a minha vida, mas com muitos amigos que passaram por isso. Eu me senti num território muito conhecido”, respondeu.

“Eu acho que o filme fala de um jeito tão verdadeiro, e ao mesmo tempo tão engraçado de questões da juventude que a gente vê por aí, e de todas elas na verdade. Eu agora to num momento diferente, sendo mãe, então é divertido pensar na juventude por que eu não to nela. Eu acho que o filme é bem generoso nesse sentido, porque você vê as questões, você ri delas, mas você reflete sobre elas também. Acho que esse é o melhor humor que você pode ter, que não é só um riso, é um riso cheio de sentimentos, cheio de pensamento, e de referências, e são várias camadas de humor”, contou Sophie Charlotte. E ela descreveu exatamente como eu me senti ao assistir ao filme, em muitos momentos eu ria porque era realmente engraçado, em outros eu ria porque eu me via naqueles personagens.

Acostumada com muitas comédias que assisti durante a minha vida inteira, confesso que já fui assistir ao filme preparada para falas machistas e preconceituosas, ainda mais sendo um filme sobre a vida de solteiro. Me surpreendi, pois não ouvi nem uma se quer. Sim! É possível fazer humor sem ofensas! “Eu acho que as comédias em geral, principalmente com uma pegada masculina, elas podem de vez em quando errar no tom, ou apelarem demais, ou ser machistas. No nosso filme a gente tentou ter um cuidado a mais nesse campo, a gente tentou passar coisas boas nesse sentido. Ser um filme sem censura, mas ao mesmo tempo politicamente correto e incorreto. A gente tenta ser politicamente incorreto nas coisas não ofensivas à ninguém”, contou Matheus.

Na coletiva descontraída, e ao mesmo tempo muito reflexiva, o elenco discutiu também sobre a geração jovem atual: “Nada mais é um retrato do que é o jovem de hoje em dia, caracterizado nos mais variados personagens. Eu acho que o jovem de hoje em dia ta aqui nesses quatro e ta em muitos outros personagens que estão nesse filme. É o frescor, o filme tem esse frescor, tem essa diversão. Eu acho que a palavra da juventude, talvez, hoje em dia seja versatilidade. Hoje em dia, a nossa geração pelo menos, nisso eu incluo todo mundo, apesar de eu ser mais nova, eu acho que gente já não tem mais assim ‘eu tenho que ser uma coisa ou outra’, não. A gente é isso, e isso, e aquilo. A gente pode ser um monte de coisa e o filme traz muito isso do jovem nas suas mais variadas versões”, disse Alice Wegmann, que interpreta a Diana, uma garota espontânea que vive intensamente.

Eu realmente adorei do filme, e mal posso esperar para uma segunda trilogia. O orçamento, na verdade, pouco importa quando o filme é bem feito, nos diverte, ao mesmo tempo em que nos identificamos e nos faz refletir.

O filme estreia no dia 8 de dezembro, com distribuição da Paris Filmes, e ainda conta com participações especiais de Fábio Porchat, Fernanda Souza, Antonio Tabet, Augusto Madeira, Rafael Queiroga, Dida e Bella Camero.

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